Chegará o tempo em que as coisas ficarão cheias de si e que, de tão saturada ela não terá mais importância nenhuma. As pessoas não dão importância ao repetitivo, aquilo que não é criativo ou original. Me sinto assim: obsoleto. Acho que minha receptividade não está lá grande coisa. Perdi muito tempo. Isso deve ter lesado meus centros de força. Um esforço sobre-humano para me manter de pé. Acredito que dentro de mim essa gama de sentimentos e pensamentos deve ter algum porquê, um sentido, uma razão. Gostaria de saber quais. Perdi ou nunca tive a satisfação de ser. Sentir-se improdutivo, como disse, um esforço sobre-humano para fazer coisas tão simples, como escever uma frase do que estou sentindo, parece que estou com um certo impedimento, uma racionalização, uma rigidez tão absurda. A simplicidade que sempre quis me fez inócuo, vazio de pensamentos, mediocre.
Com o passar dos tempos, será que as pessoas esfriam, será que as coisas se auto-sabotam? Será que não há a possibilidade de permanecerem, o amor, por exemplo, ele com toda a sua magnitude seria algo tão incerto de ser previsto? Não há continuidade? Será isso o amor? Desejar, esperá-lo criar-se, acontecer, tempo e tempo. Será que o tão desejado "eu te amo" tem algum efeito na vida das pessoas? Desejado de coração, lá do fundo, creio que ele é sim importante de dizer. Mas o que eu sinto, qual as minhas prioridades, qual meu prospecto, minhas esperança, onde depositei minha fé, minhas fichas em alguém, nada é em vão, então como ficar tão preocupado com a solidão? Será que não estou fazendo o suficiente? Sei que poderia faezr mais, mas esse é meu limite. Preciso ir rompe-lo aos poucos. O tempo é realmente cruel e perverso. Ou será as pessoas?
Estive vendo um documentário sobre os seres humanos quererem ser diferentes dos macacos, mas eles mais se assemelham e isso não tem como negar. Sim, macacos, dancem, humanos, dancem! Um chamamento, uma evocação desses aspectos arcaicos, tão inconscientes e negados ao ponto de nos acharmos acima de tudo e de todos. Saber-se colocar, se posicionar vai muito de como nos sentimos perante a vida. Cada ato, cada comportamento é tão determinado, tão previsível para aqueles que possuem uma sensibilidade acima da média. Ou até mesmo da média. O ser humano vai perdendo todo seu mistério e, consequentemente sua originalidade.
É incrível como consigo fugir do que estou falando, fugindo de mim mesmo. Queria ter uma tranquilidade com a qual eu tento me esconder. A paz, o abraço com meu eu, aceitar-me, relaxar, coisas simples que me fazem sentir bem. Será que sou realmente capaz de viver aqui? Deixei de sobriviver, mas ainda muito pensativo. As coisas não são como eu quero e nem quero que sejam. É tão mais interessante ser pego de surpresa, apesar de que às vezes isso não é bom. Confiar nos outros, mesmo sabendo que corro o risco de estar sendo enganado, inocente, sendo bom da meneira que eu sei ser. Acreditando que todos mereçam ser amados, ser felizes, creio que as coisas estão se alinhando, se delimitando, dando um caminho seguro e reto. Quebramos a cara, acabamos cometendo nossos erros, tendo nossas ilusões por simples descaso de nossos processos internos, não seguindo o curso da vida.
Espero um dia conseguir entender tudo isso. Tudo o que aconteceu antes ficou como? Pessoas, fatos e vivências voltaram e perderam seu impacto. Saudosista, idealista, entusiasta, seja lá como queiram falar, nada disso poderia ter outra função ao de manter a chama da vida, da esperança viva. Temos em nosso favor a certeza de que algo está se formando dentro de nós. A nossa história é essa: a história de todos os tempos contadas por nós, algo se repete, algumas coisas necessária ao nosso crescimento, amadurecimento, aperfeiçoamento, um caos, praticamente uma guerra, um embate, uma guerra fria, mas ainda assim algo que está em constante movimento, numa dinâmica, numa formação constante de nosso eu.
Escrito por Piers às 22h45
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