Acariciando seu rosto, olhando para seus olhos, apesar de fechados
Buscando explicações de como fomos nos encontrar nesse tempo, nesse lugar
Abraço-te forte sentindo seu corpo quente, chegando a ter a sua dor
O coração bate mais forte, suas mãos em minhas costas
Há outro lugar, outra felicidade? Estando com você eu não penso nisso...
Estou completo, iluminado por você
Consumado, descansado, fortalecido
Águas torrentes que levam de mim toda a lembrança
Não quero o ontem, nem o amanhã: quero agora!
Eterniza o momento... Quero isso sempre mais!
Intenso, forte, apenas isso...
O amor!
Escrito por Piers às 20h56
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Sentar em um teatro, ver a peça começar, extasiar-se, as cortinas se fecham. Outra cena. Tragédia, comédia, fim. Ver que as coisas estão se repetindo. Algumas coisas são tão previsíveis. E as previsíveis são as mais tempestivas. Não queremos ter o retorno de um sofrimento, mas ele sempre vai com outra roupagem, outra cara. A verdade se revela, todos ficam surpresos. Nada fazia sentido até aquele momento. Agora a vida perde seu sentido, seu mistério. Certeza do final feliz, ou não. Só essas duas possibilidades. Você então vê que você apenas se iludiu por algumas horas e que isso não te acrescentou tanto assim. Foi outra pessoa interpretando um papel, um protagonista, com seus coadjuvantes, um cenário mal feito... O teatro é mero simulacro, sem cor, sem brilho... Será que são as pessoas, o ambiente, tudo isso é a nossa realidade? Porque aceitamos essa realidade?
Alguns scripts, papéis que passamos a interpretar, máscaras, personas, sem textos, sem diálogo, um monólogo, duas, três, milhares entram em cena ao mesmo tempo, cada um ao seu tempo, todos são improtantes, todos dão sua contribuição. E fica por isso mesmo. Sempre fazendo o melhor, sempre dando mais que recebendo. Ou será permuta? Osmose? Deixarei de ser ignorante vendo uma peça sobre Nietzsche, ou serei mais engraçado vendo uma comédia? Sinceramente não sei como funciona. Será isso apenas meios de entreter-se, já que a vida é tão dura que ninguém mais suporta a realidade? Seja o que for, não podemos deixar o palco.
As luzes perseguem os atores, as atrizes com suas roupas impecáveis, podendo até mesmo uma mendiga ser tão bela, aprezível que deixe de ser asqueirosa e nojenta... O cheiro fédido de um lixão, um animal que entra em cena, podem ter um aspecto tão elegante que o mais exigente aplaudirá de pé. O que está por trás disso? Regozija-se com uma mentira... O beijo da mocinha, o bandido que rouba e sai ileso - lembra-se, o ladrão pode ser o mocinho - mesmo um navegante que chega a uma ilha, ou sobrevivente de um terremoto. Um déja-vù? Sim, fatos cotidianos... Lamentavelmente, banalizados, legitimados, certificados, catalogados, mensurados e guardados em livros. O terrível, o perverso será em outro momento o venerado desses psicóticos? Sim, estão todos loucos! Estamos todos! E quem se importa se todos estão? Se todos estão como vão se perceber loucos e quem poderá dizer o contrário? Todos se confundem, homogêneos e desiguais, fortes submissos, decaidos...
Qual a nossa posição num mundo que somente a doença consome, dá lucidez, vontade de se viver? Necessitados, forçados a continuar assim... Arranca-se a carne, venda-se os olhos, nada tem sentido! Nem minhas palavras, nada, tudo leva pra um futuro desolado, sem vida, sem pulsão, sem coração, sem razão... Princípio do fim? Deve ser...
Deficientes do sentimento, da emoção, os afetos se foram, os entes morreram e agora são memória, lembrança? Começará tudo de novo? Destruido o mundo, será quando a nova era? Relegados às mãos do acaso... Consciência? Pertubações de todas as ordens... Fisiológicas, mentais, o sangue vai percorrendo as veias como veneno. O ar contaminado com cheiro de enxofre, isso passará de fantasia? Sonho? Pesadelo...
Otimismo! Confiança! Gastar toda fé... Frases soltas... Vem-me a cabeça tantas coisas e eu para organizar não consigo. Sinto corrompido por essa corrente niilista, descrente demais... Queria ser feliz... Apenas isso.
Escrito por Piers às 20h52
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