Dançam o par de velas no candelabro como dois cegos buscando reconhecer o próprio corpo. Semi-luzes que não consegue iluminar todo o aposento. Livros, mesas, papéis e canetas. A cadeira com o habitual rangido e o gato que segue solene por entre os móveis. Pulando de móvel em móvel, cai em cima do tapete felpudo de um sonho que era pra ter acontecido há alguns anos. Agora é apenas lembrança de um passado longincuo. As bebidas que foram servidas, agora são apenas as taças que permanecem na mesa esperando a empregada. Ela fez anos! Ganhou um aumento e feliz, fez o serviço de hoje com muito mais afinco. Às vezes penso que tudo é banalidade... A noite se encerrou com os olhos fechados de um sonho que não aconteceu. E o desfecho só acontece quando souber o que vai acontecer.  

Escrito por Piers às 00h35
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Dizer pouco, mas dizendo tudo, sentimentos contrários, incertezas, morosidade, morno, culposo, dolorido, sofrido e infeliz... Aonde foi a esperança? O amor e a paz ainda não sustentam esse ser, ainda não conseguem desdobrar, não conseguem coverter, dobrar e docificar. Nada poderia dizer muito! O silêncio que caucifica. O momento é balsamizado pelas minhas lembranças. Repetências? Caminhantes desventurados, fortes e destituidos dos títulos. Será mesmo possível seguir acreditando em uma mentira? Porque tenho que dar notícias que não são minhas. Qual a poesia, qual a canção que pode dizer o que se passa aqui dentro? Porque me provocam, porque ainda querem ver até onde irei? Quero paz, liberdade! Nada nem ninguém conseguirá tirar-me a consciência tranquila, ainda que eu me encontre aflito e torturado por tudo que venho passado. Quando será o momento que irei fazer aquilo que tenho em mente? Será que não posso ser feliz com esse pouco? Será que não sou digno de ser amado e de amar? Já fiz muitas perguntas, mas quero alguma resposta, ou algo que faça diminiur essa ansiedade. Chego a ter medo do que pode acontecer. Tudo pode acabar amanhã. Irei sobreviver, irei continuar, tenho ideal e confiança nesse sentimento. Tantas e tantas que passamos. Nos jogamos da janela, do barranco e a rua é a serventia da casa. Seguir meu caminho onde a rua pode me levar. Alguém pode me dizer quando isso acaba? Ou como eu faço pra suportar, resistir e viver melhor? Fico pensando naqueles que sabem aproveitar a vida e ainda aprender muito. Há pessoas que tem um roteiro, uma conduta tão irrepreensível que consegue transitar por todos os lados, conhecedora, sábia e misteriosa. Efetiva e eficazmente sabe o que a vida é e o que pode oferecer. Ah! Se eu ao menos pudesse aproveitar a companhia destas. E se eu fosse mais tolerante. E se eu ao menos me permitisse... E deixasse de pensar tanto. Se o sofrimento burila, poderia estar reluzente neste momento... Enganos, engodos, entornos e, se me permitem, devaneios. Não! Não preciso de permissão: permutas, joguetes, descasos e retornos. Nietzsche tinha rezão de como somos convalescentes. E a cura está em nós mesmos.



Escrito por Piers às 00h24
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Há ditames, formas e compensações que tornam a vida muito maior do que ela realmente é. Algumas coisas descobrimos incompreensíveis - pelo menos por algum tempo. Nada poderá ser acobertado ou escuso quando em nosso íntimo temos que a certeza que isso é apenas passageiro e quando soubermos tratar-se, isso se esvanece e cai. Coisas e outras que poderia dizer, mas ainda assim não saria capaz de expressar tudo o que pode ter sido. Você é alguém que é feliz e tem paz dentro de si. Seguindo caminhos, tormentas se formam por estar certo. Conflitos, dores e sofrimentos nada mais são do que raspas insignificantes comparado com o ser que é. Não poderia dizer-te que és mais do que tudo isso. Seguimos conjuntamente, tendendo para um caos. Volte sempre sua mente e sua visão pra algo mais além, confiança de um futuro melhor. Um coração como o seu, sua dignidade, virtudes que admiro e tenho em você um ideal. O caos que disse, na verdade é o porvir que ainda desconhecemos. Não poderia dizer o que será no dia de amanhã, uma vez que o "amanhã a Deus pertence". Como poderia dizer tudo isso? Tenho que ter paciência...

Amar é cruel, é perverso... É frio e distante de tudo que dizem. Nos tornamos tão diferente do que somos. Não conseguimos seguir tranquilos, nem lúcidos. As emoções e sentimentos são tão avassaladores que algumas vezes vejo em um constante tormento. Pode ser paixão? Sei quando amo. E olha que esse amor vai me consumindo, mas é tão bom... Penso como estou conduzindo a vida e vejo que estou tendo disciplina, renúncia e respeito. Ainda que espero algo cada vez mais intenso e fortalecido, maduro e envolvente.

Seja como for, a vida exige cuidados... E preciso tê-los mais e mais! 



Escrito por Piers às 19h43
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